sexta-feira, 18 de abril de 2008

Pingo de ouro


Eis que eu entro na padaria procurando uma guloseima nova e, curiosamente, encontro. O nome é "pingo de ouro", mas com certeza deve ser dessas coisas que tem um nome diferente em cada cidade e/ou década.

Ele é mais ou menos do tamanho de um brigadeiro pequeno, se fosse um pouquinho menor seria melhor de comer um de vez, sem ter que morder e se sujar. Mas esse tamanho limítrofe é bom, que desafia, cria uma certa tensão. Tem uma consistência quase de palmier, mas é mais macio. E rola um açucarzinho de confeiteiro por fora, toda uma delicadeza.

Bom que só, recomendo. Comprei naquela padaria (ou seria delicatessen?) Engenho Casa Forte, junto da Praça de Casa Forte. Até barato, R$16,90 o quilo.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Morreu galego


Estou eu aqui em casa na tranqüilidade daquela hora pré-almoço, quando sou surpreendido por uma zuada que contrastou com as diárias buzinadas, palavrões, batidas de carro e sirenes com pressa: PEI PEI PEI PEI.

Assim mesmo: quatro, com um intervalo mínimo entre cada, como se fossem tiros de pistola. Não é que eram? Lembrei na hora que minha esquina é tida como "perigosa", apesar de essa fama ter passado há muito tempo, já que eu nem lembro da última vez que aconteceu algum ato criminoso por aqui, pelo menos à luz do dia.

Aí pensei na família do pobre coitado que tava indo almoçar depois de uma manhã de trabalho, quando aparece um infeliz com uma pistola na mão pedindo "celular e carteira, boy", aí ele fez besteira e o cara se assustou e sentou o dedo.

A essa altura, já tinha juntado aquele morreu galego, debaixo da árvore entre meu prédio e o vizinho de trás, onde ficam uns caras vendendo capa de celular e as frutas da estação. Por sinal, demorou um bocado pra juntar gente em volta seja lá de onde foi o ocorrido, o que me causou um certo estranhamento. Alguém tinha que descobrir o que aconteceu, né.

Aí Diogo desceu, que eu não curto ver gente morta ou mortalmente ferida, pra ver o que rolou. Eis que, das más notícias, a melhor: quem morreu foi o ladrão!

Ele assaltou um cara parado no sinal, pegou celular e carteira boy, e, na fuga, recebeu quatro tiros bem-dados pelo motorista do carro de trás. Claro que o cara fugiu, deixando o larápio morrendo na calçada com o berro na mão, além dos pertences recém-adquiridos.

Logo tudo fez sentido. Se um cara é assaltado e leva quatro tiros, o ladrão foge e todo mundo junta em volta nem que seja pra ver o pobre coitado morrendo. Mas se o elemento é quem leva os tiros e fica na calçada enroscado na bicicleta com um .38 em punho, quem é que vai arrodear o cara pra ver se ele tá bem? Por isso o povo só aglomerou depois que apareceu o primeiro carro de polícia.

E quem é que lembrava se o justiceiro era homem ou mulher, a placa do carro ou sequer marca, modelo e cor? Ninguém, claro.

Posso inclusive aproveitar a baixa (nula?) audiência desse blog pra dizer exatamente o que eu achei disso tudo, no melhor estilo Tropa de Elite, citando inclusive um compositor local:

chupa que é de uva
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quinta-feira, 10 de abril de 2008

(re)design futurista arrojado

Dia desses eu estava refletindo sobre como todos os carros estão se tornando um só "modelo ideal" de carro.

Sério. A Ford agora tem meio que um "novo padrão" no design dos seus carros, chamado Kinetic. Nem todos os carros que me fizeram pensar sobre isso foram afetados por essa frescura, mas é perceptível que tá rolando uma "modinha" no design automobilístico, e ela tá cada vez mais fazendo os carros ficarem o mais parecidos possível com o Ford Focus:


Eis alguns exemplos:
Ford Ka (1997, 2008):



GM Vectra (1993, 2007):



Fiat Palio (1996, 2007):



Ford Fiesta (1995, 2003):



GM Corsa (1994, 2002):




Todos foram lançados no Brasil depois do Focus, que saiu em 2000. Todos são culpados, qual a dificuldade de fazer carro bonito hoje em dia? Tão todos iguais! Antigamente, os carros eram completamente diferentes uns dos outros! Será isso fruto de uma seleção natural das características mais otimizantes do design, como aerodinâmica (mesmo nos modelos 1.0!) e economia de material na fabricação?

Fica aí a dúvida, né?

sábado, 29 de março de 2008

o dia da formatura

Eu não entendo a prefeitura. Ano eleitoral, todo mundo querendo agradar a população, e uma oportunidade de ouro pra demonstrar o mínimo de competência é desperdiçada desse jeito.

Hoje foi a inauguração do Corredor Leste-Oeste, uma solução para pelo menos parte dos engarrafamentos que infernizam o Recife. O corredor consiste em fazer uma ligação direta da Av. Caxangá com a Conde da Boa Vista, com faixa exclusiva para ônibus e um novo terminal de integração, ainda não inaugurado, na Praça do Derby. A mudança no trânsito estava marcada para as 6h da manhã de hoje, e a única novidade mesmo foi a inversão de sentido de uma das faixas da Rua Benfica, num trecho de tipo 500m. Não seria nada de mais, se o lugar já não fosse um dos pontos mais complicados da cidade.

Curioso que sou, resolvi fazer pela primeira vez o caminho da casa de Mariana até a minha usando a Caxangá. Acabei pegando um engarrafamento que transformou uma viagem de 10min em uma tortura de meia hora. O que aconteceu foi que não só o povo não lê jornal como não lê as placas. Aviso não faltou, faz quase 1 ano que esse corredor é anunciado, tudo bem explicadinho, mas todo mundo se faz de burro e simplesmente fica perdido quando vê os ônibus na contramão. Não bastasse a ignorância geral, achou-se muito boa a idéia de não ter absolutamente nenhum guarda de trânsito no corredor inteiro! Meio-dia do sábado e um trânsito de hora do rush da sexta-feira.

Pra ninguém me chamar de mentiroso, tinha sim um guarda. UM! Só pra avisar de uma entrada à esquerda agora que é proibida, pois cruza a faixa exclusiva dos ônibus. Mas no resto do caminho inteiro, nada. Resultado: uma grande quantidade de gaiatos invadindo a faixa dos ônibus na contramão (!) pra fugir do engarrafamento, como se adiantasse alguma coisa.

Mas a prefeitura achou pouca movimentação na cidade essa inauguração calhar no mesmo dia da Meia Maratona do Recife, que já estava tumultuando Boa Viagem desde ontem, e invadiu o centro da cidade hoje pela manhã, e resolveu que hoje era um ótimo dia para podar as árvores da cidade!

Resolvi (re?)ativar esse blog quando, às 13h de hoje, parei no sinal do Garagem e me vi num congestionamento fdp, com metade da Rua Amélia fechada por copas de árvores e com um monte de garotos-propaganda de construtora (grandes causadoras de adensamento populacional e subseqüente aumento de fluxo de veículos) colorindo a faixa de pedestres com performances circenses. Foi uma cena simbólica na minha vida.

A bronca é que em breve eu me formo arquiteto e urbanista e vou, oficialmente, me sentir responsável em fazer o meu melhor pra evitar que a minha vida se dê numa cidade autofágica por completo, nem que seja fugindo do país. Por sinal, a formatura é hoje, e apesar de não ter participado de todas as solenidades com o pessoal, eu vou pelo menos fazer minha parte de tomar uma.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Entrada no diário velho

Hoje foi decidido que a escada tem que ser daquela convencional mesmo, e pela terceira vez eu finalizei a planta do pavimento íntimo. Espero terminar essa porra até sexta, pra levar pra Luizinho ver.

Que diabos, hein.