
Estou eu aqui em casa na tranqüilidade daquela hora pré-almoço, quando sou surpreendido por uma zuada que contrastou com as diárias buzinadas, palavrões, batidas de carro e sirenes com pressa: PEI PEI PEI PEI.
Assim mesmo: quatro, com um intervalo mínimo entre cada, como se fossem tiros de pistola. Não é que eram? Lembrei na hora que minha esquina é tida como "perigosa", apesar de essa fama ter passado há muito tempo, já que eu nem lembro da última vez que aconteceu algum ato criminoso por aqui, pelo menos à luz do dia.
Aí pensei na família do pobre coitado que tava indo almoçar depois de uma manhã de trabalho, quando aparece um infeliz com uma pistola na mão pedindo "
celular e carteira, boy", aí ele fez besteira e o cara se assustou e sentou o dedo.
A essa altura, já tinha juntado aquele
morreu galego, debaixo da árvore entre meu prédio e o vizinho de trás, onde ficam uns caras vendendo capa de celular e as frutas da estação. Por sinal, demorou um bocado pra juntar gente em volta seja lá de onde foi o ocorrido, o que me causou um certo estranhamento. Alguém tinha que descobrir o que aconteceu, né.
Aí Diogo desceu, que eu não curto ver gente morta ou mortalmente ferida, pra ver o que rolou. Eis que, das más notícias, a melhor: quem morreu foi o ladrão!
Ele assaltou um cara parado no sinal, pegou
celular e carteira boy, e, na fuga, recebeu quatro tiros bem-dados pelo motorista do carro de trás. Claro que o cara fugiu, deixando o larápio morrendo na calçada com o berro na mão, além dos pertences recém-adquiridos.
Logo tudo fez sentido. Se um cara é assaltado
e leva quatro tiros, o ladrão foge e todo mundo junta em volta nem que seja pra ver o pobre coitado morrendo. Mas se o elemento é quem leva os tiros e fica na calçada enroscado na bicicleta com um .38 em punho, quem é que vai arrodear o cara pra ver se ele tá bem? Por isso o povo só aglomerou depois que apareceu o primeiro carro de polícia.
E quem é que lembrava se o justiceiro era homem ou mulher, a placa do carro ou sequer marca, modelo e cor? Ninguém, claro.
Posso inclusive aproveitar a baixa (nula?) audiência desse blog pra dizer exatamente o que eu achei disso tudo, no melhor estilo Tropa de Elite, citando inclusive um compositor local:
chupa que é de uva.