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quinta-feira, 8 de março de 2007

Fama de mau?

O cara ser a pessoa mais mal falada que eu já vi, tudo bem, é um posto que deve ter seu titular. No Brasil, a única coisa pior que ser professor universitário é ser policial. O cara fazer jus a isso na sala de aula é esperado, dá até pra entender. Mas no meio disso tudo essa figura se mostrar algo entre mentiroso e gagá, já é um problema completamente diferente.

Desde que entrei na universidade, não tenho férias. Foi tanta greve que a gente se acostumou a ter aula em janeiro e férias em abril, ou março, ou maio, ou junho. Qualquer mês, menos janeiro ou julho. Quero saber como era antes disso, professor. Hoje em dia, rola a lenda (confirmada por este que vos fala) que esse maluco, apesar de as aulas recomeçarem - depois do recesso de fim de ano - na terceira semana de janeiro, só dá as caras no começo de fevereiro. E não avisa nada a ninguém, acha muito bonito ter mais essa 'excentricidade'.

Não bastasse o paletó nos dias de calor e o humor excepcional (ou falta de qualquer humor), esta peste ainda me inventa de ir PESCAR durante todo o mês de janeiro. Existe? Existe. Ele foi mesmo. Faltou a primeira, a segunda e a terceira aulas. Na terceira, os 8 ou 9 alunos que compareceram às 7 da manhã àquele fim de mundo decidiram: aula que vem quem falta é a gente. Faltou todo mundo, nunca participei de tamanha revolução em toda a minha vida de universitário.

Sabe qual foi o melhor? Justamente nessa aula, que nem era em fevereiro ainda, o figura resolveu aparecer. Janeiro não foi bom pra peixe, recolhe o molinete que eu vou pra Recife dar aula. Foi a melhor notícia da minha vida. Ele chegou e esperou até 8:30, e nada de aluno. Bateu o ponto e foi pra casa, daria tudo pra ver a cara dele saindo do CAC. Aliás, daria não. Deve ser a mesma cara emputecida de todos os dias, mas seria bom ver que dessa vez a culpa era nossa.

Na aula seguinte, ou "sessão", como ele prefere chamar, chega o dito cujo com a careca devidamente bronzeada. Em vez de admitir que faltou, é claro que ele virou a mesa, na maior frieza, na maior cara de pau:

- A sessão do dia 13 não aconteceu, pois eu não estava aqui.
(põe o cabeçalho normalmente e assina embaixo, passando uma linha)
-
Nem a seguinte, eu também não compareci, portanto, não houve sessão. Nem a terceira. Já na quarta, eu estive aqui. Mas nenhum aluno compareceu, todos levaram falta.
(turma sorri por dentro)

Isso resolvido, todo mundo satisfeito, continuamos as aulas. Até que terça agora, dia 6, vem ele fazendo uma recapitulação das sessões e das presenças nas mesmas. Quando começou com as aulas depois do recesso, é proferida a pérola amnésica do ano, até o momento não admitida (e nunca será) pelo próprio como uma típica crise de velhice:

- 13 de janeiro. Como consta na minha agenda, eu vim e nenhum aluno veio, todos levaram falta. O mesmo para as 3 seguintes sessões, eu vim e vocês não. Como eu venho dizendo, eu tenho feito um esforço muito maior que o de vocês, blá blá blá --


Moral da história: nunca duvide da fama de algum professor da faculdade, principalmente se a faculdade for de Arquitetura. A veracidade da má reputação , nesses casos, não é uma questão de probabilidade. É só uma questão de tempo.