(...)
Eu: Vê, e essa espiral de cordeiro aí?
Abel (não o Braga, o garçom): Aspiral?
E: Isso, que seja. Como é esse negócio?
A: É tipo umas sacicinha, pequenininha assim, que vêm enrolada né. Tipo um cordãozinho. Aí é aspiral. Tem apimentada e sem ser apimentada. Vai querer?
E: Vou, vai. Apimentada, por favor.
A: Ok.
(...)
- Apimentada acabou, pode ser sem ser apimentada?
- Pode, pode.
(...)
(...)
- Ô, meu querido. Cadê minha espiral?
- Aspiral?
- Isso, ela mesma.
- Tá saindo, tá saindo.
(...)
Chega outro garçom, mais novo e com uma posição mais baixa na hierarquia com um prato na mão. Põe o prato sobre a mesa. Então, tenho a seguinte imagem à minha frente:

Depois de uma pequena pausa pra todo mundo fazer cara de espanto, rir e ficar em silêncio, o que durou uma média de uns 4 segundos, eu puxo o jovem garçom de volta e pergunto, desconcertado:
- Vem cá, vê.. assim... Qual é o nome desse prato?
- Asfiral.
- (risos). Beleza. Ok.
Este prato me custou 10 reais. Talvez seja a vida me ensinando a nunca pedir a sugestão do dia. Na certa é a comida que tá mais próxima de perder a validade e tão querendo renovar logo o estoque. Tanto que nem da apimentada tinha mais. Não duvido que o meu pacote de sacicinha tenha sido o último, e por isso tenha perdido sua geometria espiral original. E agora eu estou convencido de que estávamos errados o quadro e eu: espiral não, asfiral.
